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Capítulo I :: Ato I

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Capítulo I :: Ato I

Mensagem  Tupã em Seg Set 21, 2015 1:59 pm

Ano da graça de Nosso Senhor de 1655
Terra de Santa Cruz

Knut já se mudara para Santa Cruz havia quase um mês. Mas seu domínio do idioma lusitano apresentava apenas um sotaque marcante e incomum para os habitantes desta terra tropical. Ele sempre teve uma certa facilidade para com os novos idiomas, e ter estudado tanto o latin o ajudou a compreender língua dos colonos.
Neste meio tempo, conseguiu montar um pequeno laboratório num local um tanto afastado do centro da Vila de São Vicente. Ressabiado como sempre, Knut não se sentia a vontade com todo aquele movimento, e a quantidade de igrejas e padres o deixavam bastante incomodado. A proposta de seu amigo Samuel Alende chegou na hora certa:

— Knut, eu soube de um arraial levantado há apenas uns três anos, ele ainda está crescendo e a Inquisição ali ainda não chegou. Fica um pouco depois de Villa Rica, mas pretendo ir para lá na semana que vem. Estou contratando uns homens para ajudar na segurança. Quer vir comigo? Podemos dividir as despesas.
Knut gostou da ideia. E agilizou sua mudança. Comprou uma carroça e montou em uma semana seu laboratório móvel.

A segurança a qual Samuel se referia consistia em dois homens, Marcondes e seu amigo, Pietro, um italiano simpático e de temperamento deveras expansivo, que trabalhava como estivador no porto da cidade. Pietro, havia poucos dias avistara um conterrâneo chegando no porto, e deu como certo que foi sua santinha que impediu o sujeito de o reconhecer. “Será que descobriram que vim preste fim de mundo?” Temendo ser reconhecido, a ideia de sair de São Sebastião para o intrerior nunca lhe pareceu mais benvinda...

A comitiva foi formada e partiram de São Vicente rumo a região das minas no dia 27 de agosto de 1655, uma Quinta-Feira. Porém, devido as carroças que transportavam toda a bagagem de Knut e Samuel, tiveram de atravessar a Serra do Mar por terra margeando o Rio das Bandeiras.


Terminada esta primeira parte da viagem, chegaram a Vila de Piratininga no dia 10 de setembro sem baixas e puderam reabastecer seus suprimentos, onde então, souberam de uma família que rumavam para a mesmo lugar que eles. A estrada até a Região das Minas é muito perigosa devido ao grande fluxo de ouro que sai de lá rumo aos portos de Santa Cruz o que atrai muitos ladrões nas matas, além disso é o lar de muitos animais selvagens e indios hostis, portanto atravessar a serra em um grupo grande é muito mais seguro.

O patriarca desta família chamava-se Henrique da Gama é um Bandeirante experiente que acabara de trocar suas valorizadas terras na Vila de Piratininga por terras maiores e mais algumas cabeças de gado nas recém ocupadas terras das Gerais. Acredita ter feito um negócio promissor e se mudava para lá com toda sua família, e ainda conduzindo um gado valioso. Suas terras avizinhavam-se do Arraial do Vau Dourado, um lugarejo habitado pelos colonos há pouco mais de um ano, mas tem crescido rapidamente devido a exploração do metal amarelo em seu ribeirão, o mesmo arraial para onde Knut e Samuel pretendem se estabelecer.

O grupo partiu no dia 12 de setembro de Piratininga. No Clã da Gama entre todos os familiares e agregados somam-se quase quarenta, dos quais, apenas oito são bandeirantes. A família estava de mudança e levava consigo quatro carroças, com sua bagagem e suprimentos.


A família Da Gama era bastante animada e sempre se reuniam a noite em volta de fogueiras para jantar e conversar. Os homens ao redor de uma e as mulheres e crianças com a sua própria. Estes momentos eram curiosos, porque a família não falava o lusitano, mas a língua geral, um idioma muito comum entre os de Piratininga, que mesclava palavras do lusitano e tupi. Os de São Vicente tiveram bastante dificuldade de entendê-los, mas quando estes falavam eram compreendidos por alguns dos bandeirantes.

Pietro, aproveitou estes momentos durante a viagem para se entrosar com a família. Sua socialização foi motivada, é lógico, pelo seu temperamento agregador, mas principalmente pela beleza da terra de Maria do Socorro, uma cabocla com seus trinta anos que ele notara quando ainda estavam em Piratininga. Suas investidas não podiam ser muito ousadas pois, Socorro era casada com Damião, um dos bandeirantes do clã, e Pietro aproveitou as noites em que o homem foi designado para a vigília. Pietro sentiu que a moça não está muito aberta para ele, ainda... afinal, a viagem até Vau Dourado é longa.

Durante a viagem a curiosidade que paira sobre Knut pode ser intensificada, pois não bastasse o homem se vestir de preto e usar uma máscara em forma de bico, ele se apresenta a todos como, O Corvo. As criancas da família vivem seguindo-o a distância curiosas sobre ele, e com medo, é claro. Knut é um médico do Velho Mundo que estuda as pragas, sua máscara o protege de doenças contagiosas pelo ar, e ele está sempre falando sobre as cidades do Velho Mundo que viu serem dizimadas por pragas. Apesar do estranhamento que ele provoca, Henrique da Gama sabe que é um privilégio viajar com médicos pelo sertão. Sua avó quem o diga!

Jurema, a avó indígena de Henrique da Gama, que durante uma parada da caravana, resolveu ir colher algumas ervas na beira da estrada, acabou sendo surpreendida por uma jararaca que mordeu sua mão. A anciã não suportou o susto e desmaiou. Fora encontrada e levada para junto da mata. Achavam que era o fim dela, mas o Corvo disse que poderia ajudá-la. Da Gama deixou sua avó nas mãos do misterioso médico. A senhora foi levada para a carroça de Knut e ele pediu para que todos se afastassem. Bastante. A família estranhou, mas o patriarca disse para obedecerem. Eles mantiveram-se ha cerca de 50 metros da carroça. Pietro colocou-se ao lado de da Gama, estavam todos apreensivos. Ninguém via o que se passava lá, nem ao menos podiam ouvir. Estranho, Da Gama achou quando ouviu ãquela distância a voz do Corvo. “Por que diabos ele estaria falando tão alto? Será que está brigando com Vó Jurema?” Após uns vinte minutos, Knut sai e diz que ela vai ficar bem e entrega a Da Gama um vidro com um líquido que ela precisa beber durante uma semana.

Isso foi dia 20 de setembro, estima-se que o grupo alcance a região da minas na segunda semana de outubro. Viajar com mulheres, crianças e gado pelo sertão não é uma tarefa fácil...
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